terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

QUADRIBOL ATRAVÉS DOS SÉCULOS - Capítulo 7





CAPÍTULO SETE
Times de Quadribol da Grã-Bretanha e da Irlanda


A necessidade de manter o jogo de quadribol secreto para os trouxas significa que o Departamento de Jogos e Esportes Mágicos precisou limitar o número de partidas jogadas a cada ano. Embora os jogos amadores sejam permitidos, desde que as diretrizes estabelecidas sejam cumpridas, o número de times de quadribol profissional foi limitado a partir de 1674 quando foi organizada a Liga de Quadribol. A época, o Departamento selecionou os treze melhores times de quadribol da Grã-Bretanha e da Irlanda para tomarem parte na Liga e solicitou que todos os outros se dispersassem. Os treze times continuam a competir todos os anos pela Taça da Liga.

Appleby Arrows (Flechas de Appleby) Esse time do norte da Inglaterra foi fundado em 1612. Eles usam vestes azul-claras com o brasão de uma flecha prateada. Os fãs dos Flechas irão concordar que a hora mais gloriosa do time foi aquela em que derrotaram, em 1932, o time campeão da Europa, os Abutres de Vratsa, em uma partida que durou dezesseis dias sob chuva e denso nevoeiro. O velho hábito dos torcedores do clube de atirar flechas para o alto com suas varinhas, todas as vezes que seus artilheiros marcavam um gol, foi proibido pelo Departamento de Jogos e Esportes Mágicos em 1894 quando um desses artefatos perfurou o nariz do juiz Nugento Potts. Há uma rivalidade tradicional entre os Flechas e as Vespas de Wimbourne, como veremos mais adiante.

Ballycastle Bats (Morcegos de Ballycastle) até o momento, o time de quadribol mais famoso da Irlanda do Norte ganhou a Taça da Liga um total de vinte e sete vezes, e se tornou o segundo time mais bem-sucedido na história da Liga. Os Morcegos usam vestes pretas com um morcego vermelho estampado no peito. Sua mascote famosa, um morcego frutívoro de nome Barny, é também muito conhecido por aparecer nos anúncios de cerveja amanteigada (Barny diz: Morcegar só com cerveja amanteigada!).

Caerphilly Catapults (Catapultas de Caerphilly). O Catapultas do País de Gales, que se formou em 1402, usa vestes com listras verticais verde-claras e vermelhas. A respeitável história do clube inclui dezoito vitórias em campeonatos da Liga e um famoso triunfo na final da Taça Européia, em 1956, quando derrotou o time norueguês dos Papagaios de Karasjok. A trágica perda do seu jogador mais famoso, “Daí” Llewellyn, o Perigoso, devorado por uma quimera quando passava as férias em Mykonos, na Grécia, levou à decretação de um dia de luto nacional entre os bruxos e bruxas galeses. A Medalha Comemorativa de Daí, o Perigoso, é atualmente concedida no fim da temporada ao jogador da Liga que tiver se exposto aos riscos maiores e mais eletrizantes durante uma partida.

Chudley Cannons (Canhões de Chudley). Muitos consideram que os dias de glória do Canhões de Chudley já terminaram, mas seus leais fãs vivem na esperança de um renascimento. O Canhões ganhou a Taça da Liga vinte e uma vezes, a última em 1892, e seu desempenho no último século foi totalmente medíocre. O Canhões de Chudley usa vestes laranja-vivo com um brasão em que há uma bala de canhão em movimento e um “C” preto duplo. O lema do clube foi mudado em 1972 de “Nós venceremos” para “Vamos fazer figa e esperar o melhor”.

Falmouth Falcons (Falcões de Falmouth) usa vestes nas cores branco e cinza-chumbo com a cabeça de um falcão estampada no peito. O time é conhecido pelo jogo duro, uma reputação consolidada por seus batedores mundialmente famosos, Kevin e Carlos Broadmoor. Os dois jogaram pelo clube de 1958 a 1969 e suas faltas resultaram em nada menos que catorze suspensões aplicadas pelo Departamento de Jogos e Esportes Mágicos. O lema do clube: “Vamos vencer, mas se não pudermos, arrebentamos o adversário!”.

Holyhead Harpies (Harpias de Holyhead) é um time gales muito antigo (fundado em 1203), único entre os times de quadribol do mundo, porque sempre foi formado apenas por bruxas. As vestes do Harpias são verde-escuras e têm uma garra dourada no peito. A derrota infligida pelo Harpias ao Gaviões de Heidelberg em 1953 é considerada, pela maioria dos entendidos, uma das melhores partidas de quadribol a que já se assistiu. Com a duração de sete dias, o jogo foi encerrado com a espetacular captura do pomo pela apanhadora do Harpias, Dulce Griffiths. O capitão do Gaviões, Rodolfo Brand, num gesto que se tornou famoso, desmontou da vassoura no final da partida e pediu em casamento a capitã do time adversário, Gwendolyn Morgan, que o surrou com a sua Cleansweep Five.

Kenmare Kestrels (Francelhos de Kenmare). Esse time irlandês foi fundado em 1291 e é mundialmente aplaudido pelas exibições animadas de suas mascotes leprechauns (duendes irlandeses) e pelas excelentes audições de harpa dos seus torcedores. O Francelhos usa vestes verde-esmeralda com um “F” e um “K” amarelos rebatidos sobre o peito. Darren O'Hare, goleiro do Francelhos de 1947 a 1960, foi capitão da equipe nacional irlandesa três vezes e é considerado o inventor da Formação de Ataque Cabeça-de-Falcão para artilheiros (veja Capítulo 10).

Montrose Magpies (Pegas de Montrose). O Pegas é o time de maior sucesso na história da Liga Britânica e Irlandesa, cuja taça eles ganharam trinta e duas vezes. Duas vezes campeão europeu, o Pegas tem fãs no mundo inteiro. Seus muitos jogadores excepcionais incluem a apanhadora Eunice Murray (falecida em 1942), que certa ocasião pediu que inventassem “um pomo mais veloz porque o que existe é fácil demais”, e Hamish MacFarlan (capitão de 1957-68), que continuou a sua bem-sucedida carreira no quadribol como chefe do Departamento de Jogos e Esportes Mágicos, função que desempenhou brilhantemente. O Pegas usa vestes nas cores preta e branca com uma pega estampada no peito e outra nas costas.

Pride of Portree (Orgulho de Portree). Este time tem origem na Ilha de Skye onde foi fundado em 1292. O “Orgulho”, como é conhecido por seus fãs, usa vestes roxo-escuras com uma estrela dourada no peito. Sua mais famosa artilheira, Catarina McCormack, capitaneou o time na conquista de duas Taças da Liga na década de 1960 e jogou pela Escócia trinta e seis vezes. Sua filha Meaghan joga atualmente como goleira no Orgulho. Seu filho Kirley é o principal guitarrista na popular banda bruxa As Esquisitonas.

Puddlemere United (União de Puddlemere). Fundado em 1163, o Puddlemere United é o time mais velho da Liga. Puddlemere tem a seu crédito vinte e dois campeonatos da Liga e duas Taças Européias. O hino do time, “Rebatam esses balaços, rapazes, e joguem essa goles para cá”, foi recentemente gravado pela cantora bruxa Celestina Warbeck para angariar fundos para o Hospital St. Mungus para Doenças e Acidentes Mágicos. Os jogadores do Puddlemere usam vestes azul-marinho com o emblema do clube, dois juncos dourados cruzados sobre o peito.

Tutshill Tornados (Tornados de Tutshill). O Tornados usa vestes azul-celeste com um “T” duplo, azul-escuro, no peito e nas costas. Fundado em 1520, o Tornados teve o seu período de maior sucesso no início do século XX quando, capitaneado pelo apanhador Rodrigo Plumpton, ganhou a Taça da Liga cinco vezes seguidas, um recorde britânico e irlandês. Rodrigo Plumpton jogou como apanhador pela Inglaterra vinte e duas vezes e detém o recorde britânico pela captura mais rápida de um pomo em uma partida (três segundos e meio contra o Catapultas de Caerphilly em 1921).

Wigtown Wanderers (Vagamundos de Wigtown). Esse clube de Borders foi fundado, em 1422, pelos sete filhos de um açougueiro bruxo chamado Válter Parkin. Os quatro irmãos e três irmãs formavam em todos os sentidos um time fantástico que raramente perdia um jogo, dizia-se que, em parte, pela intimidação que o time adversário sofria ao ver Válter postado a um lado do campo com uma varinha em uma das mãos e o cutelo de açougueiro na outra. Através dos séculos e em homenagem às suas origens, em geral há um descendente dos Parkin no time de Wigtown, cujos jogadores usam vestes vermelho-sangue com um cutelo prateado no peito.

Wimbourne Wasps (Vespas de Wimbourne) usa vestes com listras horizontais amarelas e pretas com uma vespa no peito. Fundado em 1312, o Vespas venceu dezoito vezes o campeonato da Liga e foi duas vezes semifinalista da Taça da Europa. Acredita-se que seu nome vem de um incidente desagradável que ocorreu durante uma partida contra o Flechas de Appleby em meados do século XVII na qual um batedor, ao passar voando por uma árvore no perímetro do campo, notou um ninho de vespas entre os galhos e arremessou-o com uma bastonada em direção ao apanhador do Flechas; este teve mordidas tão numerosas que precisou se retirar da partida. Wimbourne venceu e dali em diante adotou a vespa como seu emblema de sorte. Os fãs do Vespas (também conhecidos como "ferrões") tradicionalmente zumbem alto para distrair os artilheiros adversários que estão cobrando faltas.






segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

QUADRIBOL ATRAVÉS DOS SÉCULOS - Capítulo 6 (parte 5)





CAPÍTULO SEIS
Parte 5
Mudanças no Quadribol a partir do Século XIV



JUÍZES


No passado, arbitrar uma partida de quadribol era uma tarefa apenas para os bruxos e bruxas mais corajosos. Zacarias Mumps conta que um árbitro de Norfolk, chamado Ciprião Youdle, faleceu em 1357 durante um amistoso entre bruxos locais. O autor da maldição nunca foi apanhado, mas se acredita que foi um espectador. Embora não tenha havido nenhum assassinato comprovado de juizes desde então, houve várias ocorrências de adulteração de vassouras através dos séculos, a mais perigosa tendo sido a transformação da vassoura do juiz em uma Chave de Portal de modo a fazê-lo abandonar a partida no meio e reaparecer meses depois no deserto do Saara. O Departamento de Jogos e Esportes Mágicos baixou rigorosas diretrizes sobre as medidas de segurança a serem aplicadas às vassouras dos jogadores e, hoje em dia, tais incidentes são, felizmente, muito raros.
O juiz de quadribol eficiente precisa ser mais do que um piloto excepcional. Ele ou ela precisa observar as manobras de catorze jogadores ao mesmo tempo, donde a contusão mais comum de um juiz é, conseqüentemente, o torcicolo. Nas partidas profissionais, o árbitro conta com dois assistentes que vigiam os limites do campo para garantir que nem os jogadores nem as bolas ultrapassem o perímetro exterior.
Na Grã-Bretanha, os juizes de quadribol são selecionados pelo Departamento de Jogos e Esportes Mágicos. Eles são submetidos a rigorosos testes de vôo e a um minucioso exame escrito sobre as regras do quadribol além de comprovarem por meio de testes intensivos que não irão azarar nem enfeitiçar jogadores agressivos mesmo sob extrema pressão.







domingo, 2 de fevereiro de 2014

[IMAGENS] Capas de Mary GrandPré




Capas dos Sete Livros Principais de autoria de Mary GrandPré. Eu busquei a melhor imagem que poderia encontrar, então nem todas estão em português e uma delas está numa língua que desconheço.















QUADRIBOL ATRAVÉS DOS SÉCULOS - Capítulo 6 (parte 4)





CAPÍTULO SEIS
Parte 4
Mudanças no Quadribol a partir do Século XIV



REGRAS

As seguintes regras foram estabelecidas pelo Departamento de Jogos e Esportes Mágicos por ocasião de sua criação em 1750:
1. Embora não haja limitação à altitude a que um jogador ou uma jogadora podem voar durante uma partida, ele ou ela não podem deixar os limites do campo. Se um jogador ultrapassar esses limites, seu time deverá entregar a goles ao time adversário.
2. O capitão do time pode pedir “tempo” fazendo um sinal ao juiz da partida. Esse é o único momento em que é permitido aos jogadores encostarem os pés no solo durante a partida. O tempo solicitado pode ser prorrogado até duas horas se uma partida já durou mais de doze horas. Decorrido esse tempo, se um time não retornar ao campo será desclassificado.
3. O juiz poderá aplicar penalidades contra um time. O artilheiro que vai cobrá-la deverá voar do círculo central para a pequena área. Os demais jogadores, exceto o goleiro adversário, devem se manter bem afastados enquanto a penalidade é cobrada.
4. A goles pode ser roubada das mãos de outro jogador, mas em circunstância alguma um jogador poderá tocar em qualquer parte da anatomia do outro.
5. Em caso de contusão, nenhum jogador será substituído. O time continuará a partida sem o jogador contundido.
6. É permitido levar varinhas para o campo[1], que, no entanto, não poderão ser usadas em circunstância alguma contra os jogadores do time adversário, as vassouras do time adversário, o juiz ou contra quaisquer das bolas ou espectador.

[1] O direito de sempre portar uma varinha foi estabelecido pela Confederação Internacional dos Bruxos em 1692, quando a perseguição dos trouxas contra eles atingiu o auge e os bruxos planejaram se refugiar em esconderijos. 

7. Uma partida de quadribol só terminará quando o pomo de ouro for capturado ou por consentimento mútuo dos capitães dos dois times.



FALTAS
  
As regras naturalmente “foram feitas para serem desobedecidas”. O Departamento de Jogos e Esportes Mágicos registra setecentas faltas em quadribol e sabe-se que todas ocorreram durante a final da primeiríssima Copa Mundial em 1473. Sua lista completa, porém, nunca foi divulgada. Na opinião do Departamento, os bruxos e bruxas que vissem a lista poderiam “ter ideias”.
Por sorte tive acesso aos documentos referentes às faltas, ao pesquisar para este livro, e estou em posição de confirmar que o público em nada se beneficiaria com a sua divulgação. Em todo o caso, noventa por cento das faltas arroladas são impossíveis de praticar, enquanto estiver em vigor a proibição (imposta em 1538) de usar varinhas contra o time adversário. Os dez por cento restantes, posso afirmar com segurança, em sua maioria, não ocorreriam nem aos jogadores mais desleais; por exemplo, “tocar fogo na cauda da vassoura do adversário”, “atacar a vassoura do adversário com uma maça”, “atacar um adversário com um machado”. Não queremos com isso dizer que os jogadores modernos de quadribol jamais infrinjam regras. Listamos a seguir dez faltas mais comuns. O termo correto para as mesmas, em quadribol, encontra-se na primeira coluna.


NOME
APLICÁVEL A
DESCRIÇÃO
Mutretar
Todos os jogadores
Segurar a cauda da vassoura do adversário para retardá-lo ou atrapalhá-lo.
Trombar
Todos os jogadores
Voar com intenção de colidir.
Guidonar
Todos os jogadores
Engatar os cabos das vassouras visando a desviar o adversário do seu curso.
Catimbar
Batedores apenas
Rebater o balaço para as arquibancadas, obrigando as autoridades a acorrer para proteger o público. Por vezes a manobra é usada por jogadores inescrupulosos para impedir o artilheiro adversário de marcar um gol.
Acotovelar
Todos os jogadores
Uso excessivo de cotoveladas nos adversários.
Bloquear
Goleiro apenas
Enfiar qualquer parte da anatomia no aro do gol para empurrar a goles para fora. A função do goleiro é bloquear o aro pela parte da frente e não por trás.
Conduzir
Artilheiros apenas
Manter a mão na goles enquanto ela atravessa o aro do gol (a goles deve ser atirada).
Furar a goles
Artilheiros apenas
Danificar a goles, isto é, furá-la para que caia mais rápido ou em ziguezague.
Roubar o pomo
Todos os jogadores, exceto o apanhador
Qualquer jogador, exceto o apanhador, que toque ou capture o pomo de ouro.
Fazer escada
Artilheiros apenas
Mais de um artilheiro penetrar na pequena área.






sábado, 1 de fevereiro de 2014

QUADRIBOL ATRAVÉS DOS SÉCULOS - Capítulo 6 (parte 3)





CAPÍTULO SEIS
Parte 3
Mudanças no Quadribol a partir do Século XIV



JOGADORES

O GOLEIRO

A posição de goleiro com certeza existe desde o século XIII (veja Capítulo 4), embora sua função venha mudando desde então.
Segundo Zacarias Mumps, o goleiro:

“(...) deve ser o primeiro a chegar às cestas do gol, uma vez que é sua função impedir que a goles entre. O goleiro deve ter o cuidado de não se afastar demais para o lado do campo adversário para impedir que suas cestas sejam ameaçadas durante sua ausência. Contudo, um goleiro veloz pode marcar um gol e voltar às suas cestas em tempo de impedir que o outro time empate. Cada goleiro deve decidir individualmente como agir”.

Nesse texto, Mumps deixa claro que, em seu tempo, os goleiros desempenhavam a função de artilheiros assumindo outras responsabilidades. Podiam se deslocar por todo o campo e marcar gols.
Na época em que Quíntio Umfraville escreveu O Nobre Esporte dos Bruxos, em 1620, porém, as funções do goleiro tinham sido simplificadas. Foram acrescentadas pequenas áreas ao campo e os goleiros eram aconselhados a permanecer dentro delas, guardando as cestas de gol, embora ainda pudessem se afastar numa tentativa de intimidar os artilheiros adversários ou impedir antecipadamente suas jogadas.



OS BATEDORES

Os deveres dos batedores mudaram muito pouco através dos séculos e é provável que eles tenham existido desde a introdução dos balaços. Sua primeira tarefa é proteger os jogadores de seu time dos balaços, o que eles fazem com o auxílio de bastões (no passado, com maças, vejam a carta de Goodwin Kneen no Capítulo 3). Os batedores nunca foram marcadores de gols, nem há qualquer indicação de que tenham usado a goles.
Esses jogadores precisam de grande força física para repelir os balaços. Portanto, sua posição, mais do que qualquer outra, em geral é ocupada por bruxos em vez de bruxas. Os batedores precisam ainda possuir um excelente senso de equilíbrio, porque, por vezes, torna-se necessário soltarem as duas mãos da vassoura para rebater um balaço com ambas.



OS ARTILHEIROS

Artilheiro é a posição mais antiga no quadribol, pois outrora o jogo inteiro consistia em marcar gols. Eles atiram a goles um para o outro e marcam dez pontos todas as vezes que conseguem passá-la por dentro dos aros do gol.
A única mudança significativa nesta função ocorreu em 1884, um ano antes da substituição das cestas por aros de gol. Foi introduzida uma nova regra pela qual somente o artilheiro que estivesse carregando a goles podia penetrar na pequena área. Se mais de um artilheiro entrasse, o gol seria impedido. Tal regra destinava-se a banir a “escada” (ver “Faltas” adiante), uma jogada em que dois artilheiros entram na pequena área e empurram o goleiro para o lado, deixando o aro do gol desimpedido para um terceiro artilheiro marcar o gol. A reação a essa nova regra foi noticiada no Profeta Diário da época.

NOSSOS ARTILHEIROS NÃO ESTÃO ROUBANDO!
Foi a exclamação chocada dos fãs do quadribol em toda a Grã-Bretanha, à noite passada, ao ser anunciada pelo Departamento de Jogos e Esportes Mágicos a criação da chamada “falta por uso de escada”.
“Os casos de jogadores servirem de escada para outros têm aumentado”, declarou ontem à noite um atormentado representante do Departamento. “Cremos que a nova regra eliminará as graves contusões de goleiros que temos visto com demasiada frequência. Doravante, um artilheiro tentará bater o goleiro, em lugar de três artilheiros espancarem o goleiro. A jogada ficará mais clara e justa”.
Nessa altura da entrevista o representante do Departamento foi forçado a se retirar, porque os populares furiosos começaram a bombardeá-lo com goles. Bruxos do Departamento de Execução das Leis da Magia chegaram para dispersar a multidão que ameaçava espancar o próprio Ministro da Magia.
Um garotinho de seis anos e cara sardenta abandonou o saguão em prantos.
“Eu adorava o rolo compressor”, soluçou ele para o Profeta Diário. “Eu e o meu pai gostamos de ver os goleiros achatados no chão. Não quero mais assistir ao quadribol”.
Profeta Diário, 22 de junho de 1884



O APANHADOR

Em geral os pilotos mais leves e mais velozes, os apanhadores precisam ter a visão aguçada e a habilidade de voar usando apenas uma das mãos ou nenhuma. Dada a sua imensa importância no resultado global da partida, pois a captura do pomo muitas vezes arranca a vitória das garras da derrota, os apanhadores são alvos do maior número de faltas dos jogadores do time adversário. De fato, embora um imenso charme envolva a posição de apanhador, porque são tradicionalmente os melhores pilotos em campo, eles são também os jogadores que recebem as piores contusões. “Tire o apanhador de campo” é a primeira regra em A Bíblia do Batedor, escrita por Bruto Scrimgeour.