quinta-feira, 19 de abril de 2012

Animais Fantásticos e Onde Habitam - Glossário dos Animais Mágicos




CHIZPURFLE (Chizácaro)

Classificação M.M.: XX



O chizpurfle (chizácaro) é um pequeno parasita de até um milímetro e meio de altura com a aparência de um caranguejo e dotado de grandes presas. É atraído pela magia e pode infestar o pelo e as penas de criaturas como crupes e agoureiros. Penetra também a habitação de bruxos e ataca objetos mágicos tais como varinhas, que ele rói gradualmente até o cerne mágico, ou então se instala em caldeirões sujos, onde engole qualquer restinho de poção[1]. Embora o chizácaro possa ser eliminado facilmente com qualquer das poções patenteadas à venda no mercado, várias infestações podem exigir uma visita da Subdivisão de Pragas do Departamento para Regulamentação e Controle das Criaturas Mágicas, pois o chizácaro quando inchado por substâncias mágicas torna-se muito difícil de combater.





[1] Na ausência de magia, sabe-se que os chizácaros atacam objetos elétricos por dentro (para compreender melhor o que é eletricidade, veja “Vida doméstica e hábitos sociais dos trouxas britânicos”, de Wilhelm Wigworthy, Ed. Livrinhos Vermelhos, 1987). As infestações de chizácaros explicam os defeitos intrigantes de muitos artefatos elétricos trouxas relativamente novos.




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quarta-feira, 18 de abril de 2012

Animais Fantásticos e Onde Habitam - Glossário dos Animais Mágicos




CHIMAERA (Quimera)
Classificação MM.: XXXXX


A quimera é um monstro grego raro com cabeça de leão, corpo de bode e rabo de dragão. Feroz e sanguinária, ela é extremamente perigosa. Só se conhece um exemplo de alguém que tenha abatido uma quimera, mas o azarado bruxo em questão caiu do seu cavalo alado e morreu pouco depois, sem forças. Os ovos da quimera são classificados como Artigos Não Comerciáveis Classe A.







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terça-feira, 17 de abril de 2012

Animais Fantásticos e Onde Habitam - Glossário dos Animais Mágicos




CENTAUR (Centauro)
Classificação M.M.: XXXX[1]


O centauro tem cabeça, tronco e braços humanos ligados a um corpo de cavalo cujo colorido varia. Inteligente e dotado de fala humana, a rigor, não deveria ser chamado de animal, mas a seu próprio pedido foi assim classificado pelo Ministério da Magia (Veja a Introdução deste livro).
O centauro habita a floresta. Acredita-se que ele teve origem na Grécia, embora haja atualmente comunidades desses animais em várias partes da Europa. As autoridades bruxas em cada país em que há centauros destinaram a eles áreas em que não serão incomodados pelos trouxas, porém, eles não têm grande necessidade da proteção bruxa, pois contam com recursos próprios para se esconder dos humanos.
O modo de vida do centauro é envolto em mistério. Geralmente, eles têm tanta desconfiança de bruxos quanto de trouxas e, na realidade, parecem não fazer grande diferença entre os dois. Vivem em rebanhos que reúnem de dez a cinquenta membros e gozam da reputação de entender de cura mágica, adivinhação, manejo do arco e astronomia.





[1] O centauro recebe uma classificação XXXX não porque seja excessivamente agressivo, mas porque deve ser tratado com grande respeito. O mesmo se aplica a Sereianos e Unicórnios.




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segunda-feira, 16 de abril de 2012

Animais Fantásticos e Onde Habitam - Glossário dos Animais Mágicos




BUNDIMUN (Bandinho)
Classificação M.M.: XXX


O bandinho é encontrado no mundo inteiro. Ele infesta as casas, perito que é em se infiltrar sob as tábuas do soalho e rodapés. A presença do bandinho em geral é anunciada por um fedor de decomposição. Ele secreta uma substância que apodrece até as fundações da habitação em que se encontra.
Quando em repouso, o inseto lembra uma mancha de fungo esverdeado dotada de olhos, embora quando se assuste ele fuja com suas numerosas perninhas finas. Alimenta-se de sujeira. Os Feitiços de Limpeza acabam com a infestação de bandinhos em uma casa, mas se seu dono deixou que os insetos proliferassem livremente, ele deverá entrar em contato com o Departamento para Regulamentação e Controle das Criaturas Mágicas, Subdivisão de Pragas, antes que a casa desmorone.
A secreção de bandinhos diluída é usada para preparar certos fluidos mágicos de limpeza.







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domingo, 15 de abril de 2012

Animais Fantásticos e Onde Habitam - Glossário dos Animais Mágicos




BOWTRUCKLE (Tronquilho)

Classificação M.M.: XX



O tronquilho é uma criatura que guarda árvores, encontrável principalmente no oeste da Inglaterra, sul da Alemanha e certas florestas da Escandinávia. É dificílimo de localizar por ser pequeno (no máximo vinte centímetros de altura) e aparentemente formado por tronco e gravetos com dois olhinhos castanhos.
O tronquilho, que se alimenta de insetos, é uma criatura pacífica e extremamente tímida, mas se a árvore em que ele vive é ameaçada, há quem diga que ele salta sobre o lenhador ou sobre o cirurgião-florestal que está tentando danificar sua habitação e fura os olhos deles com seus dedos longos e afiados. Oferecer bichos-de-conta aos tronquilhos os acalma por tempo suficiente para uma bruxa ou um bruxo retirar madeira de sua árvore para a fabricação de uma varinha.







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sábado, 14 de abril de 2012

Animais Fantásticos e Onde Habitam - Glossário dos Animais Mágicos




BILLYWIG (Gira-Gira)

Classificação M.M.: XXX



O gira-gira é um inseto nativo da Austrália. Mede cerca de um centímetro e três milímetros, de cor azul-safira berrante. Sua velocidade é tão grande que ele raramente é percebido pelos trouxas e, muitas vezes, nem pelos bruxos até receberem sua picada. As asas do gira-gira saem do alto da cabeça e rodam a grande velocidade quando ele voa. Na extremidade oposta do corpo há um ferrão longo e fino.
Quem é picado por um gira-gira sente tonteira seguida de levitação. Há gerações, jovens bruxas e bruxos australianos têm tentado apanhar gira-giras para provocá-los e serem picados por eles, produzindo assim esses efeitos colaterais mesmo que o excesso de picadas possa fazer a vítima flutuar no ar descontrolada durante dias seguidos.
Nos casos em que há uma forte reação alérgica, essa flutuação pode se tornar permanente. O ferrão seco do gira-gira é usado em várias poções e acredita-se que seja um dos ingredientes do popular doce Delícias Gasosas.







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sexta-feira, 13 de abril de 2012

Animais Fantásticos e Onde Habitam - Glossário dos Animais Mágicos




BASILISK (Basilisco), também chamado King of Serpents (Rei das Cobras)

Classificação M.M.: XXXXX



O primeiro basilisco de que se tem notícia foi criado por Herpo, o Sujo, um bruxo das trevas de nacionalidade grega e ofidioglota, que descobriu, após muitas experiências, que um ovo de galinha chocado por um sapo produzia uma cobra gigantesca dotada de poderes extraordinariamente perigosos. O basilisco é uma cobra verde-vivo que pode alcançar quinze metros de comprimento. O macho tem uma pluma vermelha na cabeça. Suas presas são excepcionalmente venenosas, mas seu órgão de ataque mais poderoso são os grandes olhos amarelos. A pessoa que os encara sofre morte instantânea.
Se a fonte de alimentos é suficiente (o basilisco come todos os mamíferos e aves e a maioria dos répteis), ele pode atingir uma idade avançada. Acredita-se que o espécime de Herpo, o Sujo, viveu quase novecentos anos.
A criação do basilisco foi declarada ilegal desde a época medieval, embora a prática seja facilmente dissimulável, pois basta remover o ovo de galinha do choco do sapo quando o Departamento para Regulamentação e Controle das Criaturas Mágicas aparece à porta. Contudo, uma vez que os basiliscos não são controláveis, exceto por ofidioglotas, eles oferecem tanto perigo à maioria dos bruxos das trevas quanto a qualquer outra pessoa, e não há registros de basiliscos na Grã-Bretanha nos últimos quatrocentos anos.











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quinta-feira, 12 de abril de 2012

Animais Fantásticos e Onde Habitam - Glossário dos Animais Mágicos




AUGUREY (Agoureiro), também conhecido como Irish Phoenix (Fênix Irlandesa)

Classificação M.M.: XX



O agoureiro é nativo da Grã-Bretanha e da Irlanda, embora por vezes seja encontrado em outros países do norte europeu. Pássaro magro e de aspecto tristonho, que lembra um abutre pequeno e malnutrido, o agoureiro é preto-esverdeado. É extremamente tímido, faz ninho em moitas espinhosas, come grandes insetos e fadas, só voa sob chuva pesada e, no restante do tempo, fica escondido em seu ninho em feitio de lágrima.
O agoureiro tem um canto baixo e soluçante característico, que antigamente se acreditava anunciar a morte. Os bruxos evitavam os ninhos de agoureiro com medo de ouvir esse som de partir o coração, e acredita-se que mais de um bruxo sofreu um ataque cardíaco ao passar por uma moita e ouvir o lamento de um agoureiro escondido[1].

[1] Sabe-se que Úrico, o Excêntrico, dormiu em um quarto contendo nada menos de cinquenta agoureiros de estimação. Em um inverno particularmente chuvoso, Úrico se convenceu, ao ouvir o canto dos seus agoureiros, de que havia morrido e se transformara em fantasma. Suas tentativas de atravessar as paredes da casa resultaram, segundo seu biógrafo Rodolfo Pittiman, em uma “concussão que durou dez dias”.

Com o tempo, porém, pesquisas pacientes revelaram que esse pássaro simplesmente anuncia a aproximação da chuva[2]. Desde então, ele entrou na moda como barômetro caseiro, embora haja quem ache difícil aturar o seu lamento contínuo durante os meses de inverno. As penas do agoureiro não servem para fazer canetas porque repelem a tinta.

 [2] Veja “Por que não morri ao ouvir o canto do agoureiro”, de autoria de Gulliver Pokeby, 1824 (Ed. Livrinhos Vermelhos).












quarta-feira, 11 de abril de 2012

Animais Fantásticos e Onde Habitam - Glossário dos Animais Mágicos




ASGWINDER (Cinzal)

Classificação M.M.: XXX



O cinzal se forma quando se permite que um fogo mágico[1] arda livremente durante muito tempo. Uma cobra fina, cinza-claro, de olhos rutilantes, surgirá das brasas desse fogo e rastejará para as sombras da habitação em que se encontra, deixando um rastro de cinzas atrás de si.
O cinzal vive apenas uma hora, tempo usado para procurar um lugar escuro e protegido e ali depositar seus ovos, depois do que ele vira pó. Os ovos são vermelho-vivo e liberam um intenso calor. Podem incendiar uma habitação em minutos se não forem encontrados e congelados com um feitiço apropriado. O bruxo que perceber que há um ou mais cinzais soltos em casa deve procurar rastreá-los imediatamente e localizar a ninhada de ovos. Uma vez congelados, os ovos são muito valiosos para o preparo de Poções de Amor e podem ser comidos inteiros como remédio para a malária.
Os cinzais são encontrados no mundo inteiro.





[1] Qualquer fogo a que se tenha adicionado uma substância mágica como o Pó de Flu.









terça-feira, 10 de abril de 2012

Animais Fantásticos e Onde Habitam - Glossário dos Animais Mágicos











A acromântula é uma aranha monstruosa de oito olhos e dotada de fala humana. É originária de Bornéu, onde habita a mata fechada. Suas características incluem pêlos negros e grossos que lhe cobrem o corpo, as pernas têm uma envergadura que pode abranger até quatro metros e meio, as pinças produzem um estalido distinto quando ela se excita ou se irrita, e, finalmente, produz uma secreção venenosa e tece teias abobadadas no solo.
A acromântula é carnívora e prefere presas de grande porte. A fêmea é maior do que o macho e pode pôr até cem ovos de cada vez. Macios e brancos, eles têm o tamanho de uma bola inflável de piscina. Os filhotes nascem de seis a oito semanas após a postura. Os ovos de acromântula são classificados como Artigos Não Comerciáveis Classe A pelo Departamento para Regulamentação e Controle das Criaturas Mágicas, o que significa que sua importação ou venda é punida com severidade.
Acredita-se que esse animal foi desenvolvido por bruxos, possivelmente com a finalidade de guardar suas casas ou tesouros, como acontece com a maioria dos seres criados por meio de magia[1].

[1] Animais dotados de fala humana raramente aprendem a falar sozinhos, exceção a esta regra é o furanzão. A Proibição de Criação Experimental somente entrou em vigor neste século, muito depois da primeira notícia oficial, em 1794, da descoberta de uma acromântula.

Apesar de sua inteligência quase humana, a acromântula, no entanto, não é treinável e oferece extremo perigo a bruxos e trouxas. Os boatos de que uma colônia desses animais teria se formado na Escócia não foram confirmados.















Animais Fantásticos e Onde Habitam - Classificações do Ministério da Magia




CLASSIFICAÇÕES
DO MINISTÉRIO DA MAGIA



O DEPARTAMENTO PARA REGULAMENTAÇÃO E CONTROLE DAS CRIATURAS MÁGICAS classifica todos os animais, seres e espíritos conhecidos. Oferece assim um guia imediato para a periculosidade conhecida da criatura. As cinco classes são as seguintes:


Classificação do Ministério da Magia (M.M.)

XXXXX
Mata bruxos / impossível treinar ou domesticar
XXXX
Perigoso / exige conhecimento especializado / bruxo perito pode enfrentar.
XXX
Bruxo competente pode enfrentar.
XX
Inofensivo / pode ser domesticado
X
Tedioso


Em alguns casos achei necessária uma explicação para a classificação de um determinado animal e acrescentei notas de rodapé.





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As cores dessa classificação foi dada por mim para tornar mais fácil a identificação das classes. Para tornar a leitura mais agradável, e não precisar procurar por esta classificação no blog toda vez que haver dúvida, haverá um link em cada postagens dos Animais Fantásticos, quando entrarmos no Glossário, na próxima postagem.

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segunda-feira, 9 de abril de 2012

Animais Fantásticos e Onde Habitam - A Importância da Magizoologia




A IMPORTÂNCIA DA MAGIZOOLOGIA


AS MEDIDAS ANTERIORMENTE descritas são apenas um vislumbre dos objetivos e do alcance do trabalho feito pelo Departamento para Regulamentação e Controle das Criaturas Mágicas. Resta apenas responder à pergunta para a qual todos nós, no íntimo, sabemos a resposta: Por que continuamos, coletiva e individualmente, tentando proteger e ocultar os animais mágicos, mesmo os que são selvagens e indomáveis? A resposta é transparente: para assegurar às gerações futuras de bruxas e bruxos o prazer de apreciar seus poderes e sua estranha beleza, como temos tido o privilégio de fazer até hoje.
Ofereço este livro como uma simples introdução ao tesouro de animais fantásticos que habitam o nosso mundo. Setenta e cinco espécies serão descritas nas próximas páginas, mas não duvido que ainda este ano mais alguma seja descoberta, exigindo que se publique uma quinquagésima terceira edição revista de Animais Fantásticos & Onde Habitam. Entrementes, acrescentarei apenas que me dá grande prazer pensar que gerações de jovens bruxas e bruxos ampliaram seu conhecimento e compreensão das feras fantásticas de que tanto gosto através das páginas deste livro.






quinta-feira, 5 de abril de 2012

Animais Fantásticos e Onde Habitam - Animais Fantásticos Ocultos




ANIMAIS FANTÁSTICOS OCULTOS



Seria inútil negar que há violações ocasionais da Cláusula 73 desde sua inserção no Estatuto. Os leitores britânicos mais velhos se lembram do Incidente Ilfracombe de 1932 quando um dragão verde-galês errante mergulhou sobre uma praia apinhada de trouxas que se banhavam ao sol. As fatalidades foram felizmente evitadas pelas medidas corajosas tomadas por uma família de bruxos em férias (condecorada pelo ato com Ordens de Merlim, Primeira Classe), em que seus membros prontamente realizaram a maior operação de Feitiços da Memória deste século nos habitantes de Ilfracombe, afastando por um triz a calamidade iminente [1].

[1] Em seu livro publicado em 1972, Trouxas Sensitivos, Blenheim Stalk afirma que alguns habitantes de Ilfracombe não foram afetados pelo Feitiço da Memória em Massa. “Até hoje, um trouxa apelidado de ‘Esquisitão’ continua falando nos bares ao longo da costa sulina de ‘um baita lagarto voador’ que perfurou seu colchão de ar”.

A Confederação Internacional dos Bruxos tem aplicado repetidas multas em certas nações por desrespeitarem a Cláusula 73. O Tibete e a Escócia são os dois infratores mais insistentes. Os trouxas que vêem iétis têm sido tão numerosos que a Confederação achou necessário basear permanentemente uma Força-Tarefa Internacional nas montanhas do Tibete. Entrementes a maior alga do mundo continua a escapar à captura no Lago Ness e parece ter se desenvolvido uma verdadeira sede de publicidade.
Apesar desses lamentáveis incidentes, nós bruxos podemos nos dar os parabéns pelo bom trabalho que temos feito. Não resta dúvida de que a maioria esmagadora dos trouxas da atualidade se recusa a acreditar nos animais mágicos que seus antepassados tanto temiam. Mesmo os trouxas que vêem excrementos de pocotó ou rastros de lesmalenta — seria tolice supor que os vestígios de tais criaturas sejam ocultáveis — parecem se satisfazer com a mais inconsistente das explicações não-mágicas[2]. Se algum trouxa tiver o pouco juízo de confidenciar a outros que viu um hipogrifo voando para o norte, as pessoas em geral irão acreditar que ele bebeu ou está “variando”. Por mais injusto que isso pareça para com o trouxa em questão, é melhor do que ser queimado na fogueira ou afogado no laguinho do povoado.
Então, como é que a comunidade bruxa esconde os animais fantásticos?

[2] Há um fascinante exame dessa feliz tendência dos trouxas em A filosofia do mundano: por que os trouxas preferem não saber, do Prof. Mordico Egg (Ed. Dust & Mildewe, 1963).

Por sorte algumas espécies não precisam de muita ajuda para evitar serem vistos pelos trouxas. Criaturas como o tebo, o seminviso e o tronquilho têm maneiras próprias e extremamente eficientes de se camuflar, e nunca foi necessário o Ministério da Magia intervir para ajudá-los. Por outro lado, há animais que, graças à inteligência ou à timidez inata, evitam a todo custo o contato com os trouxas — por exemplo, o unicórnio, o bezerro apaixonado e o centauro. Outras criaturas mágicas habitam lugares inacessíveis aos trouxas — este é o caso da acromântula, nas profundezas da floresta virgem de Bornéu, e da fênix, que faz ninho nos picos de montanhas inalcançáveis sem usar magia alguma. Finalmente, o que é mais comum, temos os animais que são pequenos demais, velozes demais ou gostam demais de passar por animais mundanos e não atraem a atenção dos trouxas — chizácaros, gira-giras e crupes pertencem a esta última categoria.
Ainda assim, há animais em número suficiente que, seja ou não intencionalmente, continuam visíveis até aos olhos trouxas, e são esses que geram uma quantidade considerável de trabalho para o Departamento para Regulamentação e Controle das Criaturas Mágicas. Esse Departamento, o segundo maior do Ministério da Magia[3], cuida das variadas necessidades das muitas espécies sob sua responsabilidade, de muitas maneiras diferentes.

[3] O maior Departamento do Ministério da Magia é o Departamento de Execução das Leis da Magia, ao qual os outros seis departamentos estão, de alguma forma, subordinados — com a possível exceção do Departamento de Mistérios.

Habitats Seguros
É possível que o passo mais importante para ocultar as criaturas mágicas seja a criação de hábitats seguros. Os Feitiços Antitrouxas impedem que invasores penetrem nas florestas, onde centauros e unicórnios vivem, e nos lagos e rios designados para uso dos Sereianos. Em casos extremos, como o do quintípede, áreas inteiras foram tornadas imapeáveis[4]. Algumas dessas áreas seguras precisam ser mantidas sob constante supervisão bruxa: por exemplo, reservas de dragões. Enquanto unicórnios e Sereianos se contentam em permanecer nos territórios destinados ao seu uso, os dragões aproveitam qualquer oportunidade para sair à caça fora dos limites de suas reservas.

[4] Quando uma área territorial é tornada imapeável, é impossível traçá-la nos mapas.

Em alguns casos os Feitiços Antitrouxas não funcionam, pois os poderes do próprio animal poderão cancelá-los. Tal é o caso do cavalo-do-lago, cujo único objetivo na vida é atrair para si seres humanos, e o do Pogrebin, que sai à procura deles.

Controle de Vendas e Criação
A possibilidade de um trouxa se assustar com quaisquer dos animais maiores e mais perigosos foi grandemente reduzida pelas severas penas agora vinculadas à criação e venda de seus ovos e filhotes. O Departamento para Regulamentação e Controle das Criaturas Mágicas mantém uma vigilância rigorosa sobre o comércio de animais fantásticos. A Proibição de Criação Experimental de 1965 tornou ilegal o desenvolvimento de novas espécies.

Feitiço Desilusório
O bruxo da rua também tem sua participação no ocultamento dos animais mágicos. Aqueles que são donos de hipogrifos, por exemplo, são obrigados por lei a encantar a fera com um Feitiço Desilusório para distorcer a visão de qualquer trouxa que possa surpreendê-lo. Os Feitiços Desilusórios devem ser realizados diariamente porque seus efeitos costumam se desfazer.

Feitiços da Memória
Quando o pior acontece e um trouxa vê o que ele ou ela não deveria ver, o Feitiço da Memória talvez seja o melhor instrumento para reparar o dano. O Feitiço da Memória pode ser realizado pelo dono do animal em questão, mas em caso de trouxas terem sido seriamente afetados, o Ministério da Magia pode enviar uma equipe de obliviadores treinados.

A Seção de Desinformação
A Seção de Desinformação somente intervirá nos casos extremos de colisão magia-trouxa. Algumas calamidades mágicas ou acidentes são simplesmente demasiado óbvios para serem explicados pelos trouxas sem o auxílio de uma autoridade externa. Em tais casos, a Seção de Desinformação entrará em contato direto com o Primeiro-Ministro dos trouxas para buscar uma explicação não-mágica e plausível para o acontecido. Os esforços ininterruptos dessa Seção em persuadir os trouxas de que todas as provas fotográficas do cavalo-do-lago Ness são falsas já produziram algum efeito no sentido de salvar uma situação que, no passado, parecia extremamente perigosa.







quarta-feira, 4 de abril de 2012

Preto básico que fez sucesso...



Toda mulher sabe, em caso de dúvida, escolha um básico. Daniel Radcliffe foi até criticado por escolher fazer o filme "A Mulher de Preto". De acordo com a crítica, Daniel tem direito de escolher papéis que diferem da imagem do bruxinho Harry Potter, mas alguns chegaram a dizer que a sua ideia de fazer um filme de terror era radical.

Daniel é um grande ator, e pode fazer qualquer coisa. Quem não se lembra da famosa peça de teatro americana em que Daniel é visto completamente nu ao lado de um cavalo?

Daniel Radcliffe já havia provado que era um grande ator, e com "A Mulher de Preto", ele demonstrou isso mais uma vez.

O filme que estreou em Fevereiro já provou que tem boa história, um suspense arrepiante, e atores excepcionais. Mesmo com o pouco tempo desde a publicação, o público já foi avisado: haverá sequência.


O filme foi líder de bilheteria na Grã-Bretanha este ano, terá uma sequência contando uma história passada 40 anos após os eventos do filme original. "A Mulher de Preto: Anjos da Morte" é baseado na história recentemente concluída pela autora Susan Hill e segue um casal que encontra uma casa mal-assombrada, cenário para a maior parte da ação no primeiro filme.

O filme original, que arrecadou incríveis 120 milhões de dólares nas bilheterias em todo mundo, foi adaptado de um romance de Hill com o mesmo nome. O longa tornou-se o filme de terror britânico de maior bilheteria nos últimos 20 anos.


Parabéns Daniel!



ALGUMAS FOTOS DO FILME:










Animais Fantásticos e Onde Habitam - Uma Breve História da Percepção que os Trouxas têm dos Animais Fantásticos que Vivem Ocultos







Por mais surpreendente que possa parecer a muitos bruxos, os trouxas nem sempre foram ignorantes a respeito das criaturas mágicas e monstruosas que nos esforçamos há tanto tempo para esconder. Um relance pela arte e a literatura trouxas da Idade Média revela que eles sabiam serem reais muitas das criaturas que hoje consideram imaginárias. O dragão, o grifo, o unicórnio, a fênix, o centauro — estes e muitos outros estão representados nas obras de arte daquele período, embora com uma inexatidão quase cômica.
Contudo, um exame mais atento dos bestiários trouxas daquele período comprova que a maioria dos animais mágicos ou passou inteiramente despercebida dos trouxas ou foi confundida com outra coisa qualquer. Examinem o fragmento do manuscrito, a seguir, de autoria de um tal Irmão Benedito, um monge franciscano de Worcestershire:

Hoje, quando andava pelo canteiro de ervas, afastei um pé de manjericão e descobri um furão de tamanho monstruoso. Ele não correu nem se escondeu como costumam fazer esses animais, mas saltou sobre mim, fazendo-me cair de costas no chão e gritando com uma fúria pouco natural: “Dá o fora, careca!”. Mordeu então o meu nariz com tanta força que fiquei sangrando por muitas horas. O frei não quis acreditar que eu encontrara um furão falante e até me perguntou se eu andara bebendo o vinho de nabos do Irmão Bonifácio. Como o meu nariz continuasse inchado e sangrando fui dispensado de assistir às vésperas.

Evidentemente, nosso amigo trouxa tinha descoberto não um furão, como ele supôs, mas um furanzão, muito provavelmente em perseguição à sua vítima preferida, os gnomos.
A compreensão insuficiente é muitas vezes mais perigosa do que a ignorância, e o temor que os trouxas têm da magia sem dúvida aumentou com o seu medo do que poderia estar escondido em seus canteiros de ervas.
A perseguição dos trouxas aos bruxos nessa época estava atingindo uma intensidade até então desconhecida, e a visão de animais como dragões e hipogrifos contribuía para a histeria dos trouxas.
Não é objetivo deste livro discutir o período de trevas que precedeu a retirada dos bruxos para a clandestinidade[1]. Estamos interessados apenas no destino dos animais fabulosos que, como nós próprios, tiveram de se ocultar para que os trouxas se convencessem de que magia não existia.

[1] Quem estiver interessado na história completa desse período particularmente sangrento da vida dos bruxos deve consultar “Uma História da Magia” de Bathilda Bagshot (Ed. Livrinhos Vermelhos, 1947).

A Confederação Internacional dos Bruxos discutiu a questão em sua famosa reunião de cúpula de 1692. Nada menos de sete semanas de discussões, por vezes azedas, entre bruxos de todas as nacionalidades, foram dedicadas ao espinhoso problema das criaturas mágicas. Quantas espécies poderíamos ocultar do olhar dos trouxas e quais deveriam ser? Onde e como iríamos escondê-las? O debate prosseguiu, acalorado, e embora houvesse criaturas inconscientes de que seu destino estava sendo decidido, outras contribuíram para o debate[2].

[2] Delegações de centauros, Sereianos e Duendes foram persuadidas a comparecer à reunião de cúpula.


Finalmente chegaram a um acordo[3].

[3] A exceção dos duendes.


Vinte e sete espécies, desde o tamanho de um dragão ao de um bandinho, deveriam ser escondidas dos trouxas, de modo a criar a ilusão de que jamais haviam existido, exceto na imaginação. Este número cresceu no século seguinte, à medida que os bruxos adquiriram maior confiança nos seus métodos de ocultamente. Em 1750 foi inserida no Estatuto Internacional de Sigilo em Magia a Cláusula 73, hoje respeitada pelos Ministérios da Magia do mundo inteiro:

Todo governo bruxo se responsabilizará pelo ocultamento, cuidado e controle de todos os animais, seres e espíritos mágicos que vivam dentro das fronteiras do seu território. Se tais criaturas causarem mal ou chamarem atenção da comunidade trouxa, o governo bruxo da nação afetada será disciplinado pela Confederação Internacional dos Bruxos.